SEGUNDO CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE REVITALIZAÇÃO

DE LÍNGUAS INDÍGENAS E MINORIZADAS

Fonte: Maxson Barzani

Título 4

O Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas do Instituto de Letras da Universidade de Brasília

 

O Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas foi criado por Aryon Dall’Igna Rodrigues em julho de 1999. Vincula-se ao Instituto de Letras da UnB e serve ao Programa de Pós-Graduação em Linguística (mestrado e doutorado). O projeto LALLI visa à formação de novos pesquisadores e à promoção de pesquisa documental, analítica e teórica sobre as línguas indígenas faladas no Brasil.

A formação de pesquisadores tem sido efetivada mediante o acolhimento e supervisão/orientação de estudantes de graduação no Programa de Iniciação Científica (PIC/PIBIC/PROIC) e de pós-graduação nos cursos de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UnB (PPGL).

A pesquisa desenvolvida pelo LALLI é tanto de natureza sincrônica como diacrônica. É estimulada a prática da documentação em campo e a análise fonológica e gramatical, sob enfoques descritivos e funcionais, principalmente. A contribuição diacrônica é promovida mediante aplicação de metodologia histórico-comparativa, abordando tanto a comparação de novos dados lexicais e gramaticais para melhor determinação de relações genéticas entre as línguas, como a revisão e sistematização de dados antigos, sobretudo para línguas desaparecidas, documentadas só no passado.

É igualmente apoiado o desenvolvimento de competência na reconstrução de fases pré-históricas de famílias linguísticas. No LALLI vem sendo organizado também um banco de dados de línguas indígenas brasileiras com documentos sonoros e escritos, não só produzidos por pesquisas recentes, mas também incluindo documentação antiga, inédita ou de publicação rara. Investe-se também no treinamento de estudantes para o trabalho com esses dados, tendo em vista sua conservação e, no caso de inéditos, de sua edição crítica. Outras atividades do LALLI incluem o apoio a programas de ensino linguístico em cursos de Miistério e Programas Interculturais junto a comunidades indígenas.

 

Tem o LALLI estimulado o Programa de Pós-Graduação em Linguística da UnB a admitir no curso de mestrado e doutorado a estudantes indígenas graduados em outras universidades. Foramaram-se até o presente oito mestres indígenas com dissertações sobre aspecto da fonologia e ou gramática de suas respectivas línguas e quatro indígenas com dissertações em estudos dialetológicos e de análise do discurso. Quatro indígenas concluíram doutorado sobre aspectos gramaticais de suas respectivas línguas. Atualmente 12 indígenas relizam seus estudos de doutorado (4) e de mestrado (8).

Uma característica do LALLI tem sido a preocupação com as línguas mais ameaçadas de extinção ou em outras situações de risco. Além de orientar o estudo de línguas que contam só com poucos conhecedores (Avá-Canoeirao, Piripkúra, Apiaká, Yawalapíti), a equipe do LALLI tem cooperado com o programa de índios isolados da FUNAI, ao qual tem dado apoio linguístico em diversas frentes. Ao LALLI, encontram-se associados os doutores Lyle Richard Capmpbell ((University of Hawai'i Manoa), Dulce Francesquini (UFCH), Fabio Bonfim Duarte (UFMG), Ruth Monserrat (FRJ), Sanderson Castro Soares de Oliveira (UFAM), Maxwell Miranda (UFMT), Andérbio Márcio Martins (UFGD), Eliete de Jesus Bararuá solano (UEPA), Lucivaldo Silva da Costa (UNIFESPA), Fábio Pereira Couto (UNIR), Jorge Domingues Lopes (UFPA) e Rodrigo Prudente Contrin (UEG).  Vale ressaltar que o LALLI tornou-se conhecido como promotor de encontros científicos e publicador. Promoveu o I, o II, o III, o IV e o V Encontro Internacional sobre Línguas e Culturas dos Povos Tupí (2004 e 20013), o III Encontro Macro-Jê (2005) e o VII Encontro MAcro-Jê (2010), o Workshop sobre Lingüística Histórica e Línguas em Contato: Línguas Indígenas do Brasil e de Áreas Adjacentes (2003), o Workshop sobre Línguas Indígenas Ameaçadas: Estratégias de Fortalecimento e de Revitalização (2007). Realizou o Encontro Internacional Arqueologia e Linguística Histórica das Línguas Indígenas Sulamericanas, Brasília 2011. Organizou o Workshop sobre TEMPO, ASPECTO E MODALIDADE EM LÍNGUAS INDÍGENAS SUL-AMERICANAS, no período de 24 a 27 de maio de 2012. ORganizou, ainda, o Tributo a Aryon Dall’Igna Rodrigues 4-6 de agosto de 2016 e o Primeiro encontro de Linguistas Indígenas do Brasil, 14-16 de novembro de 2018.

Organizou a publicação dos livros Novos estudos sobre línguas indígenas, Brasília: EdUnB, 2005; Línguas e culturas Macro-Jê, Brasília: EdUnB, 2007; Línguas e culturas Tupí, Vol. I; Línguas e Culturas Tupí, Vol. I I e Línguas e culturas Tupí, Vol. III. Campinas: Ed. Curt Nimuendajú e Brasília: LALLI; Línguas e Culturas Tupí, Vol. IV; e Línguas e Culturas Tupí, n. 5. Editou o Livro, CONTRIBUIÇÕES PARA O INVENTÁRIO DA LÍNGUA ASURINÍ DO TOCANTINS, Projeto piloto para a metodologia geral do Inventário Nacional da Diversidade Linguístico. Publicou também a  tradução da  Versuch einer Grammatik der Tuparí-Sprache (Die Struktur der Tuparí-Sprache para o Português, "Esboço da Gramática da Língua Tuparí" , de autoria de Aryon Dall’Igna Rodrigues e Franz Caspar (1977), LALLI 2017, 114 pp.

O LAlLI mantém com regularidade a Revista Brasileira de Linguística Antropológica.

http://periodicos.unb.br/index.php/ling/index

 

LALLI is coordinated by Ana Suelly Arruda câmara Cabral.